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Waste to Energy, panorama mundial

Filme URE Barueri: URE Barueri: a primeira Usina de Recuperação Energética da América Latina | Orizon

O Waste to Energy, uma solução que converte resíduos sólidos em energia, unindo gestão eficiente, transição energética e promovendo a valorização de materiais que não podem ser reciclados, está em rápida expansão global, impulsionado por pressões ambientais, avanços tecnológicos e políticas públicas mais rigorosas.

O mercado de Waste to Energy (WtE), ou Recuperação Energética, compreende tecnologias capazes de transformar resíduos sólidos, especialmente os não recicláveis, em energia.

No mundo existem mais de 2.800 plantas de Recuperação Energética. Segundo a Precedence Research, o mercado global de Waste to Energy foi estimado em US$ 51,23 bilhões em 2024, com expectativa de atingir US$ 92,95 bilhões. 

Este crescimento é resultado do enfrentamento de problemas como: a destinação correta de resíduos sólidos não recicláveis, geração de energia renovável e espaço viável para o tratamento dos resíduos, especialmente em grandes cidades.

Portanto, devido às metas de descarbonização por meio da transição energética, governos em todo o mundo estão oferecendo subsídios, incentivos fiscais e programas específicos para fomentar o setor. 

Referente ao panorama mundial, segundo a Global WtERT Council, os países que mais possuem plantas de WtE são:

  • China, com 1146 plantas;
  • Japão com 991 plantas;
  • Europa, com 499 plantas;  
  • Coréia do Sul, com 166 plantas’;
  • Estados Unidos, com 63 plantas.

O Brasil, receberá sua primeira planta de Waste to Energy em 2027, na cidade de Barueri.

Porque o mundo está optando pelo Waste to Energy

O WtE se posiciona como elo central entre a gestão de resíduos e a segurança energética, alimentado pela geração de energia limpa e renovável..

Apesar dos desafios globais, como custos elevados de implantação das plantas, obtenção de licenças ambientais e instabilidades em legislações e a necessidade de uma infraestrutura de gestão de resíduos robusta, cada vez mais países estão optando por adotar as usinas Waste to Energy, devido à: 

1. Resposta à crise dos resíduos:

  • A quantidade de resíduos sólidos urbanos está aumentando em ritmo acelerado, impulsionada pela urbanização e pelo crescimento populacional.
  • Muitos países enfrentam esgotamento de aterros sanitários e falta de espaço para novos, além dos impactos ambientais dos lixões.
  • O WtE oferece uma alternativa ao descarte tradicional, transformando o problema do lixo em solução energética.

2. Demanda crescente por energia

  • A busca por fontes alternativas de energia é uma prioridade diante da crise energética global e da dependência de fontes fósseis.
  • O WtE contribui para a diversificação da matriz energética, especialmente em países que não possuem grandes reservas de combustíveis fósseis.
  • Produz energia firme, ou seja, pode operar de forma contínua (diferente de solar e eólica), o que é importante para garantir segurança no fornecimento.

3. Pressão por redução das emissões de carbono

  • Tecnologias modernas de WtE, são muito mais limpas do que os antigos incineradores.
  • A queima controlada de resíduos reduzem emissões de metano, um gás de efeito estufa 25x mais potente que o CO₂.
  • Ajuda os países a cumprirem metas de descarbonização e compromissos do Acordo de Paris

4. Caminho para uma economia circular

  • O WtE fecha o ciclo dos resíduos, valorizando materiais que não podem ser reciclados.
  • Além de energia, algumas tecnologias produzem subprodutos úteis, como cinzas para cimento ou agregado para asfalto.
  • Reduz a dependência de matérias-primas virgens e diminui a pegada ambiental do consumo urbano.

5. Avanços tecnológicos e viabilidade econômica

  • A evolução de tecnologias seguras para os grandes centros urbanos.
  • Em muitas regiões, já é economicamente viável, especialmente com apoio governamental, isenções fiscais ou tarifas incentivadas.

6. Urbanização e gestão pública mais eficiente

  • Grandes centros urbanos buscam soluções integradas de gestão de resíduos com geração local de energia.
  • O WtE permite reduzir o volume de resíduos em até 90%, diminuindo os custos com transporte, aterro e emissões.
  • Traz também benefícios sociais, como geração de empregos qualificados e parcerias com cooperativas para triagem.

Oportunidades e Desafios no Brasil

O Brasil está desenvolvendo sua primeira usina Waste to Energy, com a URE Barueri, na cidade de Barueri–SP, que entrará em operação em 2027. 

Segundo dados da ABREMA, o Brasil gerou mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos em 2023, sendo que a maior concentração de produção desse material se encontra na região Sudeste, onde estão também as cidades mais populosas do Brasil.

A implantação de uma planta de WtE em Barueri, foi estrategicamente pensada para solucionar o problema de espaço e transporte com os resíduos que as cidades da região enfrentariam devido à densidade populacional, podendo servir de exemplo para o restante do país.

No Brasil, as usinas Waste to Energy podem ser impulsionadas devido ao Marco Legal de Saneamento e às diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que busca tecnologias de valorização energética. 

As estratégias de transição energética do país, que demandam uma matriz elétrica majoritariamente limpa, podem se beneficiar ao integrar o WtE como alternativa complementar às já existentes no país.

O cenário global é extremamente promissor para o mercado de Waste to Energy, impulsionado por tecnologias inovadoras, políticas públicas mais rigorosas e a urgência da transição energética. No Brasil, apesar dos desafios regulatórios e operacionais, há um enorme potencial de crescimento, especialmente na valorização de resíduos orgânicos urbanos.

Essa é uma oportunidade estratégica para unir desenvolvimento econômico, energia renovável e proteção ambiental.

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